Atraso fim a fim
Até o momento, nossa discussão focalizou o atraso nodal, isto é, o atraso em um único roteador. Concluiremos essa discussão considerando brevemente o atraso da origem ao destino. Para entender esse conceito, suponha que haja N – 1 roteadores entre a máquina de origem e a máquina de destino. Imagine também que a rede não esteja congestionada (e, portanto, os atrasos de fila sejam desprezíveis), que o atraso de processamento em cada roteador e na máquina de origem seja dproc, que a taxa de transmissão de saída de cada roteador e da máquina de origem seja R bits/s e que o atraso de propagação em cada enlace seja dprop. Os atrasos nodais se acumulam e resultam em um atraso fim a fim
dfim a fim = N (dproc + dtrans + dprop)
onde, mais uma vez, dtrans = L/R e L é o tamanho do pacote. Convidamos você a generalizar essa fórmula para o caso de atrasos heterogêneos nos nós e para o caso de um atraso de fila médio em cada nó.
Traceroute
Para perceber o que é realmente o atraso em uma rede de computadores, podemos utilizar o Traceroute, programa de diagnóstico que pode ser executado em qualquer máquina da Internet. Quando o usuário especifica um nome de hospedeiro de destino, o programa no hospedeiro de origem envia vários pacotes especiais em direção àquele destino. Ao seguir seu caminho até o destino, esses pacotes passam por uma série de roteadores. Um deles recebe um desses pacotes especiais e envia uma curta mensagem à origem. Essa mensagem contém o nome e o endereço do roteador.
Mais especificamente, suponha que haja N – 1 roteadores entre a origem e o destino. Então, a fonte enviará N pacotes especiais à rede e cada um deles estará endereçado ao destino final. Esses N pacotes especiais serão marcados de 1 a N, sendo a marca do primeiro pacote 1 e a do último, N. Assim que o enésimo roteador recebe o enésimo pacote com a marca n, não envia o pacote a seu destino, mas uma mensagem à origem. Quando o hospedeiro de destino recebe o pacote N, também envia uma mensagem à origem, que registra o tempo transcorrido entre o envio de um pacote e o recebimento da mensagem de retorno correspondente. A origem registra também o nome e o endereço do roteador (ou do hospedeiro de destino) que retorna a mensagem. Dessa maneira, a origem pode reconstruir a rota tomada pelos pacotes que vão da origem ao destino e pode determinar os atrasos de ida e volta para todos os roteadores intervenientes. Na prática, o programa Traceroute repete o processo que acabamos de descrever três vezes, de modo que a fonte envia, na verdade, 3 · N pacotes ao destino. O RFC 1393 descreve detalhadamente o Traceroute.
Eis um exemplo de resultado do programa Traceroute, no qual a rota traçada ia do hospedeiro de origem gaia.cs.umass.edu (na Universidade de Massachusetts) até cis.poly.edu (na Polytechnic University no Brooklyn). O resultado tem seis colunas: a primeira coluna é o valor n descrito acima, isto é, o número do roteador ao longo da rota; a segunda coluna é o nome do roteador; a terceira coluna é o endereço do roteador (na forma xxx.xxx. xxx.xxx); as últimas três colunas são os atrasos de ida e volta para três tentativas. Se a fonte receber menos do que três mensagens de qualquer roteador determinado (devido à perda de pacotes na rede), o Traceroute coloca um asterisco logo após o número do roteador e registra menos do que três tempos de duração de viagens de ida e volta para aquele roteador.
Capítulo: 1.4.3

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