Serviços não providos pelos protocolos de transporte da Internet

Organizamos os serviços do protocolo de transporte em quatro dimensões: transferência confiável de dados, vazão, temporização e segurança. Quais desses serviços são providos pelo TCP e pelo UDP? Já vimos que o TCP provê a transferência confiável de dados fim a fim, e sabemos também que ele pode ser aprimorado facilmente na camada de aplicação com o SSL para oferecer serviços de segurança. Mas em nossa breve descrição sobre o TCP e o UDP, faltou mencionar as garantias de vazão e de temporização — serviços não fornecidos pelos protocolos de transporte da Internet de hoje. Isso significa que as aplicações sensíveis ao tempo, como a telefonia por Internet não podem rodar na Internet atual? A resposta é claramente negativa — a Internet tem recebido essas aplicações por muitos anos. Tais aplicações muitas vezes funcionam bem, por terem sido desenvolvidas para lidar, na medida do possível, com essa falta de garantia. Analisaremos vários desses artifícios de criação no Capítulo 7. No entanto, a criação engenhosa possui suas limitações quando o atraso é excessivo, como é o caso frequente da Internet pública. Em resumo, a Internet de hoje pode oferecer serviços satisfatórios a aplicações sensíveis ao tempo, mas não garantias de temporização ou de largura de banda.

A Figura 2.5 mostra os protocolos de transporte usados por algumas aplicações populares da Internet. Vemos que e-mail, a Web, acesso a terminais remotos e transferência de arquivos usam o TCP. Essas aplicações escolheram o TCP primordialmente porque ele oferece um serviço confiável de transferência de dados, garantindo que todos eles mais cedo ou mais tarde cheguem a seu destino. Vemos também que a aplicação de telefonia por Internet normalmente funciona em UDP. Cada lado de uma aplicação de telefone por Internet precisa enviar dados pela rede a uma taxa mínima (veja a Figura 2.4), o que é mais provavelmente possível com UDP do que com TCP. E, também, aplicações de telefone por Internet são tolerantes às perdas, de modo que não necessitam do serviço confiável de transferência de dados provido pelo TCP.

Endereçamento de processos

Nossa discussão acima se focou nos serviços de transporte entre dois processos de comunicação. Mas como um processo indica qual processo ele quer para se comunicar usando esses serviços? Como um processo rodando em um hospedeiro em Amherst, Massachusetts, EUA, especifica que ele quer se comunicar com um processo em particular rodando em um hospedeiro em Bangcoc, na Tailândia? Para isso, é preciso especificar duas informações: (1) o nome ou o endereço da máquina hospedeira e (2) um identificador que especifique o processo destinatário no hospedeiro de destino.


Na Internet, o hospedeiro é identificado por seu endereço IP. Discutiremos endereços IP em detalhes no Capítulo 4. Por enquanto, basta saber que o endereço IP é uma quantidade de 32 bits que identifica exclusivamente o sistema final. (Entretanto, como veremos no Capítulo 4, a implementação ampla do NAT (Tradução de Endereços de Rede) significa que, na prática, um endereço IP de 32 bits sozinho não endereça exclusivamente um hospedeiro.)

Além de saber o endereço do sistema final ao qual a mensagem se destina, o hospedeiro originador também deve identificar o processo que está rodando no outro hospedeiro. Essa informação é necessária porque, em geral, um hospedeiro poderia estar executando muitas aplicações de rede. Um número de porta de destino atende a essa finalidade. Aplicações populares receberam números de porta específicos. Por exemplo, um servidor Web é identificado pelo número de porta 80. Um processo servidor de correio (que usa o protocolo SMTP) é identificado pelo número de porta 25. Uma lista de números bem conhecidos de portas para todos os protocolos padronizados da Internet pode ser encontrada no site http://www.iana.org. Quando um desenvolvedor cria uma nova aplicação de rede, ela deve receber um novo número de porta. 

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